terça-feira, 26 de outubro de 2010

Da Série: O Poema que Faltava

1967 - JOSÉ & OUTROS - Carlos Drummond de Andrade


Composição 


E é sempre a chuva 
nos desertos sem guarda-chuva, 
algo que escorre, peixe dúbio, 
a cicatriz, percebe-se, no muro nu. 


E são dissolvidos fragmentos de estuque 
e o pó das demolições de tudo 
que atravanca o disforme país futuro. 
Débil, nas ramas, o socorro do imbu. 
Pinga, no desarvorado campo nu. 


Onde vivemos é água. O sono, úmido, 
em urnas desoladas. Já se entornam, 
fungidas, na corrente, as coisas caras 
que eram pura delícia, hoje carvão. 


O mais é barro, sem esperança de escultura.

Bafo L.F. 

Um bafo de prosa.

Seria assim a espécie do Grande Bafo, ou é, como preferirem. A biografia escarrada do que eu sou. Prosa triste e antiga, assim como a minha própria face.



"É necessário agora que eu diga que espécie de homem sou. Meu nome, não importa, nem qualquer outro pormenor exterior meu próprio. Devo falar de meu caráter. A constituição inteira de meu espírito é de hesitação e de dúvida. Nada é ou pode ser positivo para mim; todas as coisas oscilam em torno de mim, e, com elas, uma incerteza para comigo mesmo. Tudo para mim é incoerência e mudança. Tudo é mistério e tudo está cheio de significado. Todas as coisas são 'desconhecidas', simbólicas do Desconhecido. Em conseqüência, o horror, o mistério, o medo por demais inteligente. Pelas minhas próprias tendências naturais, pelo ambiente que me cercou a infância, pela influência dos estudos realizados sob o impulso delas (dessas mesmas tendências), por tudo isto meu caráter é da espécie interiorizada, concentrada, muda, não auto-suficiente, mas perdida em si mesma. Toda a minha vida tem sido de passividade e de sonho". 
Fernando Pessoa (1888-1935)

- Bafo L.F. 


terça-feira, 19 de outubro de 2010

A arte em formas simples

Estas imagem integram uma exposição de fotos artísticas produzida por um grupo de dez moradores de rua do centro de São Paulo que participaram de oficina do Instituto Brasis.